quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Viver um Sonho...

Todos nós temos sonhos, e não estou falando do distúrbio de imagens e pensamentos que temos durante o processo do sono, mas dos ideais almejados por nós, sejam imediatos ou daqui a alguns anos. Este tipo de sonho é construído por inspirações bombardeadas o tempo todo. É impossível não termos pelo menos um, podendo ser muitas vezes pequenino e quase insignificante, residindo em nossos conscientes.
            O sonho movimenta a humanidade. Nossos feitos nasceram deles. Não há nada de errado em tê-los. É completamente saudável e natural. O que seria da gente sem eles? Um exercício de pensamento interessante é imaginarmos a humanidade, o homem mais especificamente, sem sonhos, sem almejar algo. Difícil, não? É quase como irmos contra tudo que nos move ou ficarmos sem algo básico, como a comida, por exemplo.
            Alimentar-se, respirar, beber, etc. possuem seus lados ruins. Se comermos muito, teremos problemas metabólicos; respirar é essencial e ao mesmo tempo nossa perdição (oxidação e morte andam juntas); exagerando na quantidade de água, morremos por intoxicação. Há o lado estranho do sonho, também. Nossa capacidade de raciocínio e as múltiplas opções que conseguimos construir provocam deturpações que não são nada naturais, doentias até.
            Uma das formas estranhas de deturpação do sonhar é a capacidade de uma pessoa em “roubar” o sonho das outras. Alguém, a duras penas, consegue alcançar seu objetivo e o espertalhão passa a querer o mesmo para ele, em todos os detalhes. É totalmente diferente de se inspirar, pois inspiração motiva a enfrentar momentos semelhantes compartilhados por ambos. Isto não quer dizer que uma pessoa será igual à outra. Mas o “ladrão” quer ter os mesmos objetivos realizados para si, sem passar pelas etapas penosas vividas pelo outro. Sabe quando descobrimos esta situação? Quando o sonho não é alcançado de imediato e outro é “roubado”, dando uma nova motivação ao “ladrão”. Muito estranho, pois são histórias de vidas diferentes. Até gêmeos tem trajetórias distintas. Cada um deve refletir exatamente naquilo que quer.
            Uma que era antiga, mas deve ter enfraquecido durante as últimas décadas, é o viver o sonho dos pais, ou de alguém próximo. Um clássico desta situação é o pai que quer ter um filho esportista, ou uma mãe que quer ter uma filha atriz/manequim, por pura frustação por não serem eles os escolhidos. É o sonho por procuração, onde alguém ainda em formação assume a vontade alheia, por questões emocionais, ou por não ampliar seu leque de conhecimento (afinal falamos de crianças e é difícil terem um leque amplo). E há muitas variantes, como o filho que tem que ser “doutor” e por aí vai. Não se cogita a pergunta: é isso que você quer realmente fazer?
            Não quero nem comentar o culto exagerado ao ídolo, onde ou a pessoa vive para perseguir seu objeto de culto, ou quer se transformar nele. É digno de pena...
            É comum descobrirmos gente bem-sucedida que se redescobre anos depois. Dinheiro e sucesso não eram seus verdadeiros sonhos e eles acabam encontrando a felicidade em procurar algo mais puro, mais primitivo, o sonho verdadeiro não realizado. Há casos de mudanças radicais em personalidade, apenas pelo conforto de estar no eixo.
            Se eu tenho uma resposta ou resolução para isso? Não. Levanto apenas a questão para reflexão, é o que gosto de fazer. A resposta deve estar em cada um de nós. Eu sou um sonhador. Já segui caminhos que não eram meus e percebi o erro. Já descobri o meu caminho e apesar de duro e difícil, eu quero segui-lo por conta própria, com meus erros e acertos durante a jornada. Faz parte do crescimento e se você ainda está no caminho mesmo com as pernas quebradas, tenha certeza que é a estrada certa e o seu sonho chegará ao real, mais cedo ou mais tarde.

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