segunda-feira, 19 de agosto de 2013

O Lado Sombrio de um Telefone

Eu nunca gostei de telefones. Se me perguntarem o porquê, eu não saberei exatamente explicar ou determinar qual foi o momento em que me tornei um inimigo passivo deste dispositivo que revolucionou as telecomunicações. Demorei uns dez anos para ter um celular e ainda por cima foi presente imposto por parentes; ou usa ou te dou uma surra...
            Claro que não chega a ser uma fobia daquelas em que a pessoa não consegue chegar perto; não é nada disso. Simplesmente não gosto, e ponto. Mania de quem não tem nada melhor para fazer. Quando criança detestava atender, pois nunca era para mim. Hoje atendo quando não há ninguém. Os celulares ajudam por causa da identificação de chamada, diminuindo a ansiedade da surpresa de saber quem está ligando.
            Um fenômeno recente, ou pelo menos intensificado nos últimos anos, é o telemarketing via telefone. É o tipo de coisa que não ajuda em nada a reabilitar meu gosto pela tecnologia de Graham Bell. Eis que em um belo dia resolvi não me irritar mais com este tipo de coisa e levar na esportiva ou fazer pequenos experimentos sociais.
            Outra coisa que não levo mais a sério, apesar de ter uma carga pesadíssima, é o trote que passam, geralmente de uma prisão, em que um parente seu é sequestrado. Deus do céu! Será que alguém ainda cai nisso? Provavelmente, senão eles não continuariam insistindo. Quem já atendeu sabe que assusta pela situação inusitada, mas é pura ficção.

Duas situações, uma de telemarketing e outra de trote que vivi. Relatarei brevemente os diálogos:

TELEMARKETING:
EU: Pronto! (Nunca falo alô, pois ainda tenho esperança de ser aquela brincadeira do Silvio Santos).
ATENDENTE: Bom dia! O dono da linha se encontra?
EU: Não!
ATENDENTE: Não?
EU: Não! Ele está no trabalho.
ATENDENTE: O senhor é maior de idade?
EU: Não!
ATENDENTE: Não?
EU: Não! Tenho dezessete (na verdade dezoito em cada perna).
ATENDENTE: Ah! Já está quase lá! (Isto foi alguma cantada?). Bom dia, então e obrigada!
EU: Eu é que agradeço! (pelo quê?).
            Viu, é o tipo de tempo gasto que não leva a nada. O que a mulher queria? Por que eu precisava ser maior de idade? Seria telemarketing de Sex Shop? Nunca saberemos e sinceramente nem quero mais saber...

TROTE:
EU: Pronto!
Bandido 2: Pai! É o Junior! Aconteceu alguma coisa, um negócio. Fala com o moço aqui.
EU: P... que Pariu, Junior! O que foi que você aprontou novamente? (que filho eu tenho?)
BANDIDO 1: Estamos com o seu filho e queremos que você siga as seguintes instruções...
EU: O que foi que o Junior aprontou, hein, rapaz?
BANDIDO 1: Nós sequestramos ele, senhor.
EU: Não aguento mais este garoto! Falei para a mãe dele que este menino só traz problema!
BANDIDO 1: Nós vamos matá-lo se o senhor não fizer o que queremos.
EU: Vocês fariam isso?
BANDIDO 1: O quê?
EU: Matá-lo, oras! Seria uma benção!
BANDIDO 1: É isso que vamos fazer se não pagar.
EU: Eu pago para matá-lo. Qualquer coisa.
BANDIDO 1: O quê?
EU: Diz aí o preço, p...!
BANDIDO 1: Foi um engano... (desligou).
            Por esta ele não esperava. Reversão de trote. Uma arma poderosa!
           
São por causa destas situações que não me reabilito com os telefones. Tenho vontade de exigir meu tempo de volta, se não fosse outra situação absurda e impossível. Quem sabe um dia as pessoas parem de usá-los para o mal e assim eu passe a achá-los menos chatos e frios.

Ah, quer saber, este dia nunca vai acontecer...

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