quinta-feira, 29 de agosto de 2013

O Cinema na Literatura

Há muitos anos, numa entrevista feita com um autor de um livro recém-lançado, o entrevistador, jornalista famoso e com certos maneirismos em relação a sua própria condição intelectual, fez um comentário cheio de malícia sobre a influência que o cinema tinha em relação à literatura, como se fosse o maior pecado do século XX/XXI.
Vira e mexe a literatura surge como salvadora da indústria do cinema e suas adaptações em película rendem quase sempre altos faturamentos para Hollywood. Os livros sempre influenciaram o cinema, fato, e se pararmos para pensar, o processo de criação de um filme passa por um escritor (o roteirista) e sua condição embrionária é o texto (roteiro). Há ligações profundas entre as manifestações artísticas.
Só que realmente vemos hoje, também, o lado inverso da moeda. O cinema influencia a literatura, com sua dinâmica e suas cenas adaptadas em descrições. Talvez o lado ruim, e isso é algo que ainda demanda uma boa reflexão, é querer ter uma arte na outra. É como exigir que a pintura tivesse características de escultura ou música. Difícil imaginar, não é?
O cinema é por definição a forma mais popular e fácil de receber cultura (talvez alguns filmes não possam ser classificados como transmissores de cultura). Mexe com nossos principais sentidos (audição e visão) e não é difícil compreender seu objetivo, a história contada. Não é à toa o seu peso tremendo em nossos processos criativos. Naturalíssimo, afinal nós refletimos nossos universos, nossas informações. O homem não é a expressão da construção feita por ele mesmo?
A literatura, como qualquer arte, é expressão de uma época. Receber influências de outras atividades artísticas é bastante comum. Eu não sei se é para parecer erudito, ou coisa parecida, mas caímos numa crítica vazia quando simplesmente reclamamos sem muita argumentação, sem levar o assunto mais a fundo. Se levado mais longe, chegaremos à conclusão óbvia: tudo tem conexão, não há “pureza” em nada feito pelo ser humano.
Ah! Mais sempre há coisas exclusivas, coringas guardados na manga. Eu li numa reportagem outro dia que por questões de tamanho e enquadramento de câmera o Trono de Ferro da série Game of Thrones não é o imaginado nos livros e na cabeça de George Martin (Autor da série). Um pequeno exemplo demonstrativo dos limites de uma manifestação e outra.

É aquilo que disse: influências sempre existiram e sempre existirão e não é por causa de um momento mais forte de uma que a outra se anulará ou vice-versa. Devemos permitir que a literatura seja filha de seu tempo, e talvez historiadores de um futuro distante possam nos compreender usando esta expressão como fonte de muitas respostas.

Nenhum comentário: