quinta-feira, 29 de agosto de 2013

O Cinema na Literatura

Há muitos anos, numa entrevista feita com um autor de um livro recém-lançado, o entrevistador, jornalista famoso e com certos maneirismos em relação a sua própria condição intelectual, fez um comentário cheio de malícia sobre a influência que o cinema tinha em relação à literatura, como se fosse o maior pecado do século XX/XXI.
Vira e mexe a literatura surge como salvadora da indústria do cinema e suas adaptações em película rendem quase sempre altos faturamentos para Hollywood. Os livros sempre influenciaram o cinema, fato, e se pararmos para pensar, o processo de criação de um filme passa por um escritor (o roteirista) e sua condição embrionária é o texto (roteiro). Há ligações profundas entre as manifestações artísticas.
Só que realmente vemos hoje, também, o lado inverso da moeda. O cinema influencia a literatura, com sua dinâmica e suas cenas adaptadas em descrições. Talvez o lado ruim, e isso é algo que ainda demanda uma boa reflexão, é querer ter uma arte na outra. É como exigir que a pintura tivesse características de escultura ou música. Difícil imaginar, não é?
O cinema é por definição a forma mais popular e fácil de receber cultura (talvez alguns filmes não possam ser classificados como transmissores de cultura). Mexe com nossos principais sentidos (audição e visão) e não é difícil compreender seu objetivo, a história contada. Não é à toa o seu peso tremendo em nossos processos criativos. Naturalíssimo, afinal nós refletimos nossos universos, nossas informações. O homem não é a expressão da construção feita por ele mesmo?
A literatura, como qualquer arte, é expressão de uma época. Receber influências de outras atividades artísticas é bastante comum. Eu não sei se é para parecer erudito, ou coisa parecida, mas caímos numa crítica vazia quando simplesmente reclamamos sem muita argumentação, sem levar o assunto mais a fundo. Se levado mais longe, chegaremos à conclusão óbvia: tudo tem conexão, não há “pureza” em nada feito pelo ser humano.
Ah! Mais sempre há coisas exclusivas, coringas guardados na manga. Eu li numa reportagem outro dia que por questões de tamanho e enquadramento de câmera o Trono de Ferro da série Game of Thrones não é o imaginado nos livros e na cabeça de George Martin (Autor da série). Um pequeno exemplo demonstrativo dos limites de uma manifestação e outra.

É aquilo que disse: influências sempre existiram e sempre existirão e não é por causa de um momento mais forte de uma que a outra se anulará ou vice-versa. Devemos permitir que a literatura seja filha de seu tempo, e talvez historiadores de um futuro distante possam nos compreender usando esta expressão como fonte de muitas respostas.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

As Ideologias e o Tempo

Quem gosta de ver miséria na rua? Crianças pedintes perambulando por aí, sem estudo, sem perspectiva, sem uma mãe que as cuide; alguém em sã consciência pode achar legal uma situação assim? Hoje, depois de anos observando e tentando entender os mecanismos que levam a situações como estas, eu percebo que o problema está mais para o lado do indivíduo, ou de pequenos grupos e menos para a sociedade como um todo. Somos grandes demais e desgarrados ficam pelo caminho, como os animais que são abandonados quando não conseguem acompanhar o grupo. Os humanos, por mais civilizado, por mais invenções enfiadas em suas cabeças, sempre tendem a seguir seus instintos primitivos.
Quando jovem, chegava a me dar um desespero, uma sensação de impotência não poder fazer nada para mudar a situação de miséria do mundo. Eis que lá para os meus dezoito anos, um professor destes de cursinho com um papinho marxista tupiniquim, acabou me influenciando para o lado da esquerda. Achei por um tempo, com minha ingenuidade e ignorância de jovem recém-saído da infância/adolescência, que encontrara as respostas para os problemas do mundo.
Tinha um amigo meu da juventude, capitalista convicto, que sempre discutia comigo sobre as ideologias proferidas por mim. Geralmente a única coisa proferida por este que vos escreve era minha condição de comunista e nada mais. Meu único e poderoso argumento. O mundo precisava ser mais igualitário e ponto final. Como um fanático religioso, não dava ouvidos para mais nada, sempre refutando qualquer argumento, mesmo quando não se tinha nada para refutar. Tempos sombrios.
Este amigo sempre dizia que queria ter a liberdade de comprar o que bem quisesse ou ganhar na loteria, se um dia acontecesse. Eu achava tudo uma besteira, na época, cego por minhas convicções. Ah, mas a vida e o desenvolvimento cerebral sempre guardam surpresas!
Eu estudei em universidade pública e como é sabido há sempre os grupos estudantis “politizados”, em sua maioria composta de radicais de esquerda. Conheci todo o tipo de gente. Havia aqueles que acreditavam piamente, os estudiosos que vinham com argumentos tirados de manuais como se a verdade estivesse escrita neles, e na maioria esmagadora existiam os oportunistas que simplesmente queriam começar a carreira de políticos usando ideologias demagógicas para o pontapé inicial em suas jornadas, egocêntricos, sonhando em serem lideres revolucionários, com seus nomes escritos em livros de história.
Quando comecei a tomar contato com este tipo de gente, mais outros trabalhos acadêmicos e novas filosofias, meu marxismo tupiniquim caiu por terra. O mundo é complexo demais para se resumir a um conflito de classes, ou endeusando personalidades como Fidel Castro, Che Guevara, Lênin ou Stalin (humanos em suas concepções mais básicas).
Fui um leitor relapso em relação a Karl Marx. Só li alguns textos de O Capital para o curso de sociologia geral no ciclo básico. Aí eles podem argumentar que é por isso que estou falando besteira sobre o marxismo, por pura ignorância. Mas convenhamos, quem destes que pregam a doutrina política de extrema esquerda leu realmente O Capital? Quase ninguém. Portanto, meus amigos, eu estou no mesmo nível de qualquer radical, só que tenho a mente infinitamente mais aberta e um leque mais amplo de leitura e compreensão do mundo.
O engraçado é que depois de dez anos eu vejo os mesmos caras, ainda estudantes, tentando liderar as passeatas que tem acometido o país nos últimos tempos. Só que eles quebraram a cara, pois um número infinitamente maior de pessoas tomou o direito de passeata para si e veio com argumentos mais sensatos (menos os arruaceiros que estão apenas exercendo seu “direito” de primatas numa selva). Um tiro na culatra deles.
Hoje não me prendo a ortodoxias ideológicas. Como já disse, o mundo é mais complexo que um esquema simplificado. Acho que sou neoliberal, para horror dos meus antigos colegas, mas a vida é assim. Eu achava que resolver a fome era mais importante que a liberdade. Hoje prefiro passar fome e não abrir mão de minha liberdade. Por quê? O mundo não é perfeito, mas sem liberdade fica muito pior. Liberdade e responsabilidade, e nada mais. É como meu amigo dizia: quero ter a liberdade de comprar, ou não, e viver como quiser. Hoje eu concordaria com ele e não perderia tempo com argumentações vazias. O tempo e principalmente o amadurecimento são os melhores remédios para a ingenuidade. Ainda bem!


quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Viver um Sonho...

Todos nós temos sonhos, e não estou falando do distúrbio de imagens e pensamentos que temos durante o processo do sono, mas dos ideais almejados por nós, sejam imediatos ou daqui a alguns anos. Este tipo de sonho é construído por inspirações bombardeadas o tempo todo. É impossível não termos pelo menos um, podendo ser muitas vezes pequenino e quase insignificante, residindo em nossos conscientes.
            O sonho movimenta a humanidade. Nossos feitos nasceram deles. Não há nada de errado em tê-los. É completamente saudável e natural. O que seria da gente sem eles? Um exercício de pensamento interessante é imaginarmos a humanidade, o homem mais especificamente, sem sonhos, sem almejar algo. Difícil, não? É quase como irmos contra tudo que nos move ou ficarmos sem algo básico, como a comida, por exemplo.
            Alimentar-se, respirar, beber, etc. possuem seus lados ruins. Se comermos muito, teremos problemas metabólicos; respirar é essencial e ao mesmo tempo nossa perdição (oxidação e morte andam juntas); exagerando na quantidade de água, morremos por intoxicação. Há o lado estranho do sonho, também. Nossa capacidade de raciocínio e as múltiplas opções que conseguimos construir provocam deturpações que não são nada naturais, doentias até.
            Uma das formas estranhas de deturpação do sonhar é a capacidade de uma pessoa em “roubar” o sonho das outras. Alguém, a duras penas, consegue alcançar seu objetivo e o espertalhão passa a querer o mesmo para ele, em todos os detalhes. É totalmente diferente de se inspirar, pois inspiração motiva a enfrentar momentos semelhantes compartilhados por ambos. Isto não quer dizer que uma pessoa será igual à outra. Mas o “ladrão” quer ter os mesmos objetivos realizados para si, sem passar pelas etapas penosas vividas pelo outro. Sabe quando descobrimos esta situação? Quando o sonho não é alcançado de imediato e outro é “roubado”, dando uma nova motivação ao “ladrão”. Muito estranho, pois são histórias de vidas diferentes. Até gêmeos tem trajetórias distintas. Cada um deve refletir exatamente naquilo que quer.
            Uma que era antiga, mas deve ter enfraquecido durante as últimas décadas, é o viver o sonho dos pais, ou de alguém próximo. Um clássico desta situação é o pai que quer ter um filho esportista, ou uma mãe que quer ter uma filha atriz/manequim, por pura frustação por não serem eles os escolhidos. É o sonho por procuração, onde alguém ainda em formação assume a vontade alheia, por questões emocionais, ou por não ampliar seu leque de conhecimento (afinal falamos de crianças e é difícil terem um leque amplo). E há muitas variantes, como o filho que tem que ser “doutor” e por aí vai. Não se cogita a pergunta: é isso que você quer realmente fazer?
            Não quero nem comentar o culto exagerado ao ídolo, onde ou a pessoa vive para perseguir seu objeto de culto, ou quer se transformar nele. É digno de pena...
            É comum descobrirmos gente bem-sucedida que se redescobre anos depois. Dinheiro e sucesso não eram seus verdadeiros sonhos e eles acabam encontrando a felicidade em procurar algo mais puro, mais primitivo, o sonho verdadeiro não realizado. Há casos de mudanças radicais em personalidade, apenas pelo conforto de estar no eixo.
            Se eu tenho uma resposta ou resolução para isso? Não. Levanto apenas a questão para reflexão, é o que gosto de fazer. A resposta deve estar em cada um de nós. Eu sou um sonhador. Já segui caminhos que não eram meus e percebi o erro. Já descobri o meu caminho e apesar de duro e difícil, eu quero segui-lo por conta própria, com meus erros e acertos durante a jornada. Faz parte do crescimento e se você ainda está no caminho mesmo com as pernas quebradas, tenha certeza que é a estrada certa e o seu sonho chegará ao real, mais cedo ou mais tarde.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

O Lado Sombrio de um Telefone

Eu nunca gostei de telefones. Se me perguntarem o porquê, eu não saberei exatamente explicar ou determinar qual foi o momento em que me tornei um inimigo passivo deste dispositivo que revolucionou as telecomunicações. Demorei uns dez anos para ter um celular e ainda por cima foi presente imposto por parentes; ou usa ou te dou uma surra...
            Claro que não chega a ser uma fobia daquelas em que a pessoa não consegue chegar perto; não é nada disso. Simplesmente não gosto, e ponto. Mania de quem não tem nada melhor para fazer. Quando criança detestava atender, pois nunca era para mim. Hoje atendo quando não há ninguém. Os celulares ajudam por causa da identificação de chamada, diminuindo a ansiedade da surpresa de saber quem está ligando.
            Um fenômeno recente, ou pelo menos intensificado nos últimos anos, é o telemarketing via telefone. É o tipo de coisa que não ajuda em nada a reabilitar meu gosto pela tecnologia de Graham Bell. Eis que em um belo dia resolvi não me irritar mais com este tipo de coisa e levar na esportiva ou fazer pequenos experimentos sociais.
            Outra coisa que não levo mais a sério, apesar de ter uma carga pesadíssima, é o trote que passam, geralmente de uma prisão, em que um parente seu é sequestrado. Deus do céu! Será que alguém ainda cai nisso? Provavelmente, senão eles não continuariam insistindo. Quem já atendeu sabe que assusta pela situação inusitada, mas é pura ficção.

Duas situações, uma de telemarketing e outra de trote que vivi. Relatarei brevemente os diálogos:

TELEMARKETING:
EU: Pronto! (Nunca falo alô, pois ainda tenho esperança de ser aquela brincadeira do Silvio Santos).
ATENDENTE: Bom dia! O dono da linha se encontra?
EU: Não!
ATENDENTE: Não?
EU: Não! Ele está no trabalho.
ATENDENTE: O senhor é maior de idade?
EU: Não!
ATENDENTE: Não?
EU: Não! Tenho dezessete (na verdade dezoito em cada perna).
ATENDENTE: Ah! Já está quase lá! (Isto foi alguma cantada?). Bom dia, então e obrigada!
EU: Eu é que agradeço! (pelo quê?).
            Viu, é o tipo de tempo gasto que não leva a nada. O que a mulher queria? Por que eu precisava ser maior de idade? Seria telemarketing de Sex Shop? Nunca saberemos e sinceramente nem quero mais saber...

TROTE:
EU: Pronto!
Bandido 2: Pai! É o Junior! Aconteceu alguma coisa, um negócio. Fala com o moço aqui.
EU: P... que Pariu, Junior! O que foi que você aprontou novamente? (que filho eu tenho?)
BANDIDO 1: Estamos com o seu filho e queremos que você siga as seguintes instruções...
EU: O que foi que o Junior aprontou, hein, rapaz?
BANDIDO 1: Nós sequestramos ele, senhor.
EU: Não aguento mais este garoto! Falei para a mãe dele que este menino só traz problema!
BANDIDO 1: Nós vamos matá-lo se o senhor não fizer o que queremos.
EU: Vocês fariam isso?
BANDIDO 1: O quê?
EU: Matá-lo, oras! Seria uma benção!
BANDIDO 1: É isso que vamos fazer se não pagar.
EU: Eu pago para matá-lo. Qualquer coisa.
BANDIDO 1: O quê?
EU: Diz aí o preço, p...!
BANDIDO 1: Foi um engano... (desligou).
            Por esta ele não esperava. Reversão de trote. Uma arma poderosa!
           
São por causa destas situações que não me reabilito com os telefones. Tenho vontade de exigir meu tempo de volta, se não fosse outra situação absurda e impossível. Quem sabe um dia as pessoas parem de usá-los para o mal e assim eu passe a achá-los menos chatos e frios.

Ah, quer saber, este dia nunca vai acontecer...

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

O "Diabo" Mora nos Detalhes...

É fato inquestionável a deterioração da educação no Brasil. Os problemas são muitos: baixos salários dos docentes, mau estado de conservação de muitas unidades escolares, filosofias educacionais de quinta categoria, etc. Aqui no Rio de janeiro há protestos de professores da rede estadual de ensino pedindo aumento de salário e aumento do tempo para elaboração das aulas.
Dinheiro e tempo são fundamentais e eu não tenho a menor dúvida. Só que eu quero ver o dinheiro público não só bem investido como produzindo qualidade. É sabido que muitos docentes só abraçam a profissão por pura falta de opção no mercado de trabalho; suas áreas de atuação são pouco diversificadas. O que isso significa: um professor pouco comprometido. Não vivo no país das maravilhas e sei que um grupo de profissionais engajados com estrutura financeira e física está longe de uma realidade palpável; talvez nunca cheguemos lá, pois a coisa pode se resolver feita pela metade.
Hoje se diz que falta gente preparada para o mercado. Colhemos o fruto de nossa indiferença, como projeto politico educacional, e tentamos resolver os sintomas mais graves, sem resolver a doença. E lamentável.
Por que falo sobre isso? Ainda insistindo em fatos de minha infância, lembrei-me inspirado pelas notícias da greve de professores e posteriores reflexões de um episódio bizarro que ilustra o problema educacional brasileiro; já se discute isso há pelo menos quarenta anos.
Estudei num colégio municipal, o que é hoje o ensino fundamental dois, no interior do Estado do Rio de Janeiro. No que seria o sexto ano (quinta série na época), num belo dia alguns alunos, no meio de alguma aula, discutiam amenidades. Um dos alunos, mais dedicado com notas boas, disse que o ponto fraco (físico) do homem não ficava entre pernas, mas nas coxas. Estranhei aquilo e disse:
- Onde você viu esta aberração?
- Está num livro! Todo mundo sabe! É só olhar – disse-me o colega.
Sem papas na língua, refutei imediatamente.
- Duvido! Você maluco!
- Vou trazer o livro e esfregar na sua cara! – respondeu-me docemente o garoto.
No dia seguinte já nem me lembrava mais das insanidades proferidas pelo bom aluno. Eis que ele, todo confiante, me entrega um livro didático sem-vergonha aberto em uma página qualquer. Nela havia um desenho do corpo humano masculino e testículos do tamanho de rins encontravam-se impressos nas coxas do homem. Dei uma olhada na capa e era um desses livros que o poder público distribuía aleatoriamente.
- Esta porcaria está errada! – refutei.
- Quer saber mais que o livro? – respondeu-me por fim com um xingamento que não ouso reproduzir.
Ainda tentei argumentar.
- É só colocar a mão lá embaixo e você verá onde ficam os testículos. E se ficam na coxa, o que é isso que sinto, puxa?
- Ah! Cala a boca! – apoiado por seus amigos, fui voto vencido na questão.
E assim cresceu uma geração que não questiona nada e tem as informações erradas, mesmo quando se poderia constatar fisicamente. Se os olhos do homem, no desenho didático, aparecessem nos pés, eles acreditariam.
Anos depois, pelo menos dez anos, vi numa reportagem o mesmo livro didático sendo questionado pelos erros absurdos que continha. Levaram anos, portanto, para verificar o problema e tentar solucioná-lo. E foi uma reportagem de televisão que apontou o problema, não a comissão que deveria revisar estas coisas, caso ela exista.
O diabo mora nos detalhes, diz a expressão consagrada. A responsabilidade do educador é fundamental na formação da nova geração. Não pode haver erros, por menores que sejam. Temos que aumentar o tempo e o dinheiro? Sim, temos, mas com muita fiscalização e recompensando o mérito, não ideias consagradas e filosofias que colocam o educador intocável em sua torre, como se fosse senhor de toda a razão. Inclusive se achando no direito de mudar a anatomia humana. Será que não há algum grupo com vontade política para fazer tal empreitada?
 Como na imagem bizarra no livro, muitos dirão que já há mecanismos que promovem este tipo de evolução na educação, e que estão em execução. Só que a realidade não se traduz naquilo que é dito.
Tenho a estranha sensação de que tudo está errado.
Uma síntese do nosso país...


segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Conceitos e Visões Mutantes


Remexendo em meus arquivos mentais, lembrei-me de um livro extremamente marcante de minha época de estudante, pois tinha certa relação com um episódio de minha já distante infância. O livro é “O Grande Massacre de Gatos e outros episódios da História Cultural Francesa” do historiador americano Robert Darnton. A princípio, tomei conhecimento deste livro por causa de um capítulo avulso que analisava os contos de fadas e suas versões pelo mundo. Depois acabei lendo mais da obra e a parte que lhe dá nome é sem dúvida a mais marcante.
Segundo a fonte pesquisada, trabalhadores de uma gráfica se revoltam e resolvem fazer uma espécie de inquisição contra seus governantes, e para isso usam gatos de rua para satisfazer seus anseios. Cada gato representa uma autoridade, sendo todos condenados a morte. Terrível, não? A análise do episódio foca na narrativa da época (1730) que descreve a reação dos trabalhadores (estes acham a situação hilária). Lembro-me que há uma comparação: o que era engraçado no século XVIII torna-se terrível nos dias de hoje. Claro que estou resumindo de maneira até desleixada a análise do historiador. É só uma ilustração rápida para o episódio de minha infância.
No prédio onde morei, lá para os meus dez anos de idade, havia dois porões no jardim interno. Um era uma espécie de saída dos fundos, cheio de bicicletas penduradas e uma portinha para a rua (o porão tinha uma saída porque a rua lateral era uma ladeirinha). O outro, um tipo de depósito que na verdade não armazenava nada. No jardim moravam muitos gatos, a maioria abandonada e selvagem. Toda a garotada gostava de explorar o porão/depósito. Imundo, e cheio de aranhas, parecia uma aventura dos Goones.
Um dia encontramos um gato morto no porão; já em estado de decomposição, deixando o ambiente insuportável. Uma reunião entre a molecada resolveu dar ao bichano um último gesto de dignidade, enterrando-o com todas as honras. Arranjamos uma caixa de papelão, e sei lá quem foi que o colocou na caixa, e levamos o pequeno cadáver do gato ruivo para sua derradeira morada.
Ao lado do prédio, um terreno abandonado serviria de cemitério para o animalzinho. Os anos de descuido ajudaram a construir uma pequena floresta no local. Embrenhados naqueles seiscentos metros quadrados de mata, procuramos uma clareira para enterrar o gato.
Enquanto dois garotos cavavam a cova, confesso que fui o responsável pela ideia macabra. Com meu cérebro de dez anos e minha voz esganiçada, sugeri aos meus pares a seguinte opção: “Vamos enterra o gato com a cabeça para fora”. Todos, em sintonia delinquente, aprovaram a opção dada por este que vos escreve.
Com a sepultura aberta, delicadamente o corpinho, já em rigidez pós-morte, foi posicionado para que sua cabeça ficasse para fora. Com pedaços da caixa de papelão, fazendo-se de luvas e pás, seguravam o cadáver felino para preencher de terra os espaços vazios em volta e deixá-lo na posição desejada.
Terminada a tarefa, um montinho de terra despontava na paisagem com uma cabeça de bichano morta, que nos encarava com olhos baços, meio tortos e a linguinha de fora. A cena provocou uma histeria coletiva de risos. Achamos todos os detalhes engraçados. Um ou outro nos xingou de doentes ou coisa parecida, mas foi quase unânime a graça, mesmo os que não achavam muito decente.
Este episódio tem uns vinte e seis anos e o curioso é que eu o acho terrível. Adoro animais e nunca faria isto novamente. Com uma maquina do tempo, voltaria e me daria um bofete na nuca para criar vergonha na cara. Como a análise do historiador Robert Darnton, o tempo muda a concepção e a cultura das pessoas, mesmo num intervalo temporal tão curto quanto o meu. É curioso ver estas mudanças. As percebemos o tempo todo contrastando com ortodoxias culturais que não se mexem nunca. O mais interessante na humanidade são suas construções sociais e morais, e o processo de mudança, sejam adaptações ou apenas mudanças de ponto de vista.  

Termino me perguntando o que será tabu e o que será permitido daqui a vinte anos? Teremos que esperar para ver...

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Ritmos Fortes no Entretenimento

Como muitas pessoas, minha sobrinha adora cinema. Aproveito esta disposição cinéfila para apresentar filmes do passado que de alguma maneira marcaram a minha geração, ou foram sucessos, sempre utilizados por outros filmes como referência. Geralmente ela solta uma exclamação “Ah! Então foi daí que tiraram isso!”.
Por que estou falando neste assunto? Naturalmente, inevitável, fico em contato com o passado e a comparação é irresistível com o cinema moderno. Geralmente filmes de aventura, ou pipoca, parecem se utilizar de regras rígidas de roteiro, onde quase nada é novidade, mas mesmo assim são sucessos. Não se mexe em time que ainda está ganhando.
Tirando a falta de imaginação, tema que poderia dar um livro só sobre o assunto, o que verdadeiramente mudou, e talvez não só no cinema, é o ritmo. Aos poucos descobrimos nossa capacidade ampliada de processar muito mais informação. Evoluímos? Acho que não. Temos um limite? Certamente, mas ainda não foi alcançado. Veja que um filme moderno não passa dos cem minutos e a quantidade de informação triplicou (muito mais coisas acontecem).
Não há dúvida nenhuma sobre a revolução da informação permitida pela internet. Hoje tudo é muito rápido e não se perde um segundo. O estopim para ampliar o ritmo de um filme, acredito, tenha vindo exatamente desta revolução. Certamente o passado não voltará para o cinema; ficaremos entediados se acontecer e definiremos categoricamente a lentidão da película no caso dos filmes pipoca.
Um belo dia eu resolvi, neste contexto, apresentar The Matrix para minha sobrinha. Para muitos, foi uma revolução no cinema, a ponto de ser exaustivamente copiado (câmera trezentos e sessenta graus, pausas, etc.), tornando-se extremamente banalizado. Tem certa semelhança com Psicose de Alfred Hitchcock, só que no caso do clássico, a surpresa de saber quem é o assassino morreu há anos por causa dos inúmeros spoilers exaustivamente dados.
Empolgado, falei para minha sobrinha como Matrix é uma referência, e tudo mais. Começamos a ver e eu, influenciado pela modernidade, comecei a sentir a lentidão do filme. Não conseguia acreditar. Descobri em mim a verdade: tudo pode ser mais rápido. Não sei se achei por causa da falta de surpresas que o filme já não pode me dar, ou se já não aguentava mais vê-lo, só sei que acabei com esta sensação. Também consigo processar mais informação, descobri.
Não estou dizendo que Matrix é um filme ruim, por sinal estou bem longe de pensar assim. Só que após catorze anos ele é referência de uma época, e seu grande sucesso é totalmente datado; não se desvincula um do outro.
Na literatura, sem querer dizer que são coisas iguais, já acontece algo semelhante. Principalmente entre leitores jovens, que nasceram nessa correria, há a tendência de preferirem narrativas mais dinâmicas e curtas, onde a ação está presente a todo o momento. Não sei se acontecerá como no cinema, mas na era da informação, nada ficará impune.

Ainda, portanto, não estou um cara datado. Sou de certa maneira, influenciado pela época em que vivo. Talvez daqui a algum tempo, eu passe a ser saudosista e só prefira coisas que me remetam ao passado e tudo mais. Só que ainda não cheguei lá. Se eu digo no meu tempo, tenha certeza que estou ainda vivendo nele, junto com vocês. E como naquela frase que peguei no manual de roteiro: quem disse que cachorro velho não aprende novos truques?

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Somos todos vilões?



Certa vez, em uma entrevista assistida há algum tempo, ouvi o convidado entrevistado fazer a seguinte colocação: quem é mau caráter sempre se dá mal, ou algo assim com este sentido. Não sei se era a lógica dele, muito provavelmente mal pensada, ou um desejo íntimo de justiça; não estou jugando a pessoa. Só sei que a frase me colocou em uma reflexão mais profundada.

Algumas pessoas bem sucedidas tendem a achar que são escolhidas por Deus, possuem a benção de alguma entidade espiritual, ou algo do gênero. Convenhamos: é um ato de puro egocentrismo, tudo bem que inconsciente na maioria das vezes, mas isto não tira a força, a essência do pensamento. Talvez explique a lógica delas.

É como a mulher muito devota, independente da religião, que resolve de uma hora para outra que é uma Escolhida divina, e pode se meter na vida de seus amigos, conhecidos e vizinhos, pois tem total respaldo superior. Afinal, sentindo-se candidata a santa, tem a “moral” para apontar os problemas dos outros. Só que se esquece de sua humanidade falha, achando que cada movimento é direcionado divinamente e não por sua arrogância e por que não, ignorância e limitação de visão.

Pelo amor de deus! Vamos colocar os pingos nos lugares certos. Santos, pelo menos na maioria de suas biografias, não ficaram fuxicando a vida alheia, como inquisidores em busca de bruxas. Eram pessoas que deram um exemplo a ser seguido, muitas vezes fora de qualquer possibilidade humana. Por isso seu status superior.

O mais assustador na colocação do entrevistado, contudo, é retirar a possibilidade de erro de qualquer um, sejam santos ou demônios. Quer dizer, por esta lógica, a maioria de nós poderia ser classificada como vilões ou canalhas, se não todos. Quem nunca teve problemas ou passou algum sufoco na vida, igual a um castigo, que atire a primeira pedra!

Impressionante é como uma visão maniqueísta da vida está arraigada no subconsciente de todos nós. Vemos tudo como o bem contra mal; cinema, literatura, televisão, fontes de entretenimento, ajudam a difundir e reafirmar nossas ideias. Veja bem, a civilização ocidental foi fundada nesse conceito; nossa cultura cresce ainda nesse caldo primordial de fundamentos religiosos. Vamos separar tudo bem direitinho, dentro da lógica religiosa: Deus é deus e o homem é o homem: lembre-se do livre arbítrio e ele vale para qualquer situação, seja boa ou má.

Qualquer entidade superior tem coisas melhores para fazer que observar a vida de todo mundo e delegar a qualquer um funções extraordinárias para se infiltrar e corrigir possíveis erros. Somos senhores de nossas atitudes e ponto final.

Não que o mundo não tenha atrocidades e coisas de uma beleza absoluta, porém sabemos que o ser humano é profundamente mais complexo, nunca se encaixando totalmente em um lado da moeda. Não vamos diminuir nossas possibilidades em dois conceitos ideais, mas simples, onde lacunas são deixadas de lado. Também não quero que a condição humana dê respaldos as atrocidades e que elas não tenham punição. Nada disso! O crime deve ser punido. É uma das formas de uma sociedade seguir em paz.

Eu não quero errar; isto é um fato! Contudo, se por algum motivo alguma empreitada que eu fizer, algum caminho que eu percorrer, etc. não terminar bem, não quero ter o estigma da vilania, do mau caráter. Afinal, independente de minhas intensões, ser bem sucedido ou mal sucedido depende de inúmeros fatores. Exagerando nos exemplos, porém elucidativos, se fico mutilado, ou perco um ente querido, não são de forma alguma castigos por meu caráter, entende?

Imagine por um segundo se esta lógica fosse uma lei do universo. Brasília, ou melhor, os prédios onde nossos representantes fazem seus respectivos trabalhos, só haveria o melhor da humanidade. Claro, pois a “lei” agiria naturalmente contra os maus intencionados. Tudo de ruim aconteceria com estes cidadãos que sofreriam toda a ira refletida de volta por causa de suas maldades.

Claro que eu gostaria de viver, do fundo do meu coração, num mundo perfeito, onde a justiça fosse eficaz, e tudo de bom acontecesse. Só que a realidade é outra. A vida para muitos não admite mais vê-la com infantilidade. Não estamos numa história da carochinha, conto de fadas e por aí vai.

Quem é mau caráter sempre se dá mal é o tipo de frase que parece perfeita, ocultando na sua simplicidade a própria incoerência, simplificando demasiadamente a lógica do mundo. Quem é mau nem sempre se dá mal e quem é bom nem sempre se dá bem, parece mais realista, mais coerente com os fatos observados diariamente.

Permita-nos a condição de humanos, e que nossas histórias não sejam vistas limitadamente, e nada mais. 

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Star Wars e Eu

Eu tenho anotado em um papelzinho vários temas para escrever e não sei o porquê, talvez coisas do destino (mais provável que seja subliminar), eu resolvi inaugurar isto aqui dissertando sobre Star Wars. Eu não sei, mas quem já tem mais de três décadas de vida pelo menos sabe o ícone que foi a trilogia clássica, mais ou menos o que foi Harry Potter e Percy Jackson para as gerações seguintes.

Seria coisa de Nerd? Não totalmente, mas que a nerdalhada adotou o filme como seu, isso certamente aconteceu, a ponto de se serem quase sinônimos: Nerd e Star Wars. Se perguntarem a 99% dos nerds qual filme eles chamariam de seu seria certamente a trilogia. Fato!

Mas hoje é complicado classificar quem é Nerd. Perdeu-se a carga pejorativa do conceito e muita gente se rotula como tal por gostar de uma coisa ou outra. A verdade é revelada quando encontramos um nerd genuíno. Parece aquela piada do humorista Paulo Gustavo, interpretando uma pessoa assim, que admite sua condição de nerd, mas quer ser tratado como se não fosse. Por quê? Ele sabe o peso e as consequências de ser assim.

Acho que meu primeiro contato com Star Wars foi no finalzinho dos anos 70. Eu era um molequinho de dois ou três anos, sei lá, e na parte de brinquedos de um supermercado (não sei se era o Sendas ou Mar e Terra) ouvi no autofalante a música tema em estilo disco dance. Fiquei indiferente. Santa ignorância!

Uns poucos anos depois, acho que em 1983, meu pai voltou do cinema, após assistir O Retorno de Jedi, e passou o dia seguinte inteiro falando dos malditos Ewoks, ou como os chamava na época, os ursinhos. Ah! O coitado não sabia que um tal de Jar Jar Binks iria nascer. Doce vingança!

Outro contato com a saga, em seguida, foi com um vizinho que tinha uns bonecos de chumbo, cópias dos de plásticos, muito vendido aqui no Rio na época, e na coleção dele havia Darth Vader e Luke Skywaker. Já de cara recebi o maior spoiler da saga na cara, sem piedade. O garoto pegou o boneco preto e o com roupa de piloto, bege, e disse: Ele é filho deste aqui. Achei bacaninha os bonecos, mas continuei ainda indiferente.

Em 1984, a extinta TV Manchete passou Guerra nas Estrelas. Quando mudei o canal para a emissora, usando aquele botão igual ao de acendedor de fogão, comecei a ver o filme a partir da cena em que o Luke está pedindo aos tios para ir à academia de pilotos. Garoto de sete anos que eu era, fiquei zumbificado, com meus olhos focados à tela de tubo. Tinha sido fisgado pela fantasia espacial de George Lucas.

Nos tempos do videocassete, quem podia ter um, alugava nas locadoras da vida os filmes. Contudo, quem não tinha, ficava refém da vontade das emissoras para ter acesso às continuações. Lembro-me que O Império Contra-Ataca foi passado pouco tempo depois. Continuava enfeitiçado e a ansiedade aumentou para ver mais. Queria profundamente ver O Retorno de Jedi.  Só que foi uma eternidade para passar o capítulo final (dois anos para uma criança é muito tempo).

Em 1988 foi anunciado que a rede Globo, na Tela Quente, passaria O Retorno de Jedi. Pulei de alegria! Quando passou o filme, o dia seguinte foi dedicado, na escola, a debater toda a saga, as supostas continuações, etc. Bons tempos...

Mais de uma década depois, tivemos as edições especiais, com mais efeitos e por aí vai. Quando foi anunciada a filmagem do início da saga, todo mundo que cresceu vendo Guerra nas Estrelas, ficou alucinada. 1999 foi o ano que os antigos fãs levaram um tiro no pé do Tio George.

Eu confesso que tinha sede de SW. Comprei uma fita com o Episódio I e juro que passei uns quarenta dias (período de greve) revendo a película. Fiquei esmiuçando o conteúdo do material, em busca dos menores e porque não ridículos detalhes. Depois de acordar da estase pirotécnica dos efeitos especiais, prestei a devida atenção à história. O que foi que o George Lucas fez? Que droga é essa de Jar Jar Binks? Alívio cômico aquilo ou simples sadismo do Lucas, que talvez seja a única pessoa que achou engraçado?

Bom, a resposta veio com os outros dois filmes. Era piada mesmo. O que aprendi com essa experiência? Não mexa naquilo que é bom. Pelo menos serviu como tratamento para largar o vício de Star Wars. Hoje estou reabilitado, limpo por assim dizer, e não vi nenhum filme hoje, mas só por hoje. Uma vitória por dia.

Gosto ainda dos filmes clássicos. Contudo, posso dizer que não tenho mais obsessões por SW. Sou um homem que deixou seu maior indício de nerd não ocupar um tempo absurdo de sua vida. Sabe como sei que estou controlado: não procuro saber sobre os episódios sete, oito e nove que a Disney está produzindo. Vamos ver quanto tempo eu resisto.


Firme e forte...


O Planeta da Ficção: Apresentação.

Com o modismo dos zumbis, resolvi ressuscitar dos “mortos da literatura” e assombrar um pouquinho: quero ficar na moda. Voltei do cemitério dos livros...

Bom, vamos ao que interessa.

Sempre quis fazer um blog um pouco diferente da linha dos literários ou mesmo daquele em que divulguei meu livro. Um lugar onde eu poderia exercitar uma maneira diferente de escrever (que não fosse a narrativa usada em literatura) e que pudesse falar livremente o que penso sem ser freado por questões de marketing ou divulgação. Meu antigo blog, www.aessenciadodragao.blogspot.com, é o ambiente inadequado para isso e, portanto, tive a ideia de criar um novo espaço. Só que por algum tempo ele só viveu no campo das ideias mesmo.

Toda a ideia “fermenta” numa mente agitada, e dali sai transformado em outra coisa. A princípio tive o desejo de fazer resenhas, como se já não tivéssemos resenhistas o suficiente na internet, quase um clichê (quase?). E se ao invés de falar sobre livros, por que não contar minha experiência não só na literatura, mas na vida de um modo geral? Isto poderia dar algum “caldo”! Quem sabe até engraçado!

Com este espaço, além de me forçar a escrever com uma frequência bem maior, poderia continuar interagindo com pessoas de uma maneira que não fosse simplesmente as feitas em redes sociais. Não vou mentir aqui: não sou fã delas (quero dizer das redes sociais, pois sou fã das pessoas), apesar de dever muito, principalmente, ao twitter na divulgação do meu primeiro livro. Creio do fundo do meu coração que eu seja apenas um perfil inadequado para as redes sociais e não elas que sejam erradas (resposta politicamente correta).

Tenho muitas invenções malucas para colocar aqui. Basicamente será um lugar para quem gosta de ler, coisa escrita mesmo, mas nada impede que algum vídeo ou coisa do gênero, se for interessante, não seja postado, entendeu? Uma vez inventado e concretizado, eu posto se realmente estiver bacana. Mas isso vocês é que dirão...

Então sejam bem-vindos ao blog, principalmente os corajosos que resolveram ler minhas insanidades. Tomara que tirem algo de bom, porém se não o fizerem me processem judicialmente. Talvez eu tenha uns dois reais numa caixinha de trocados para dar de indenização.


Bem-vindos ao Planeta da Ficção, onde o real e irreal se confundem, como na vida de qualquer um.